sexta-feira, 30 de junho de 2017

Maia diz a aliados que não atuará para blindar Temer

Eduardo Anizelli/Folhapress

A segunda secretária da Câmara, deputada Mariana Carvalho, na presença do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, faz a leitura da denúncia feita pela PGR contra o presidente Michel Temer

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia

BRUNO BOGHOSSIAN
MARINA DIAS
DE BRASÍLIA


Sucessor imediato de Michel Temer, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), indicou aos principais caciques de seu partido que não atuará para blindar ou salvar o peemedebista no processo de votação das denúncias contra ele.

Em jantar reservado na noite de quarta-feira (28), em Brasília, Maia disse a aliados que não vai atender à principal demanda de Temer, a unificação das denúncias, e usou um estudo preliminar da área técnica da Câmara para justificar que as matérias não podem tramitar de maneira conjunta, como deseja o presidente.

O presidente da Câmara avalia que, hoje, Temer consegue barrar a primeira denúncia contra ele, por corrupção passiva, no plenário da Casa. Ele fez chegar ao Palácio do Planalto, porém, que a provável apresentação de outras duas acusações formais pela PGR (Procuradoria-Geral da República) contra o presidente poderia deteriorar o cenário e aumentar as chances de derrota em votações futuras.

O núcleo político do governo sabe que a cada nova denúncia a possibilidade de apoio entre os deputados tende a diminuir –são necessários 342 dos 513 deputados para que a denúncia seja aceita –e vai apostar no discurso de que o presidente é vítima de uma perseguição do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Equilibrando-se entre os papéis de aliado de primeira ordem e possível substituto do presidente em uma eleição indireta, Maia foi aconselhado a adotar uma postura "institucional" e dizer que seguirá o regimento para embasar todas as suas decisões.

Aliados do presidente da Câmara admitem que seu papel é "delicado" e que ele não pode fazer nenhum movimento brusco contra ou a favor de Temer durante a tramitação das denúncias. Nas palavras de um um dos participantes do jantar, Maia apoiará o governo "até o limite".

No Planalto, o presidente da Câmara é visto como um personagem leal, mas auxiliares de Temer dizem que é preciso acompanhá-lo de perto, uma vez que ele seria o primeiro beneficiário da queda do peemedebista e, portanto, teria motivo para trabalhar por sua destituição.

Na noite de quarta, o presidente da Câmara recebeu os principais nomes do DEM para discutir justamente o seu papel diante da tramitação das denúncias.

Estiveram na residência oficial o ministro da Educação, Mendonça Filho, o prefeito de Salvador, ACM Neto, o presidente do partido, Agripino Maia, o líder do DEM na Câmara, Efraim Filho, e outros parlamentares.

Em público, Maia tem dito que vai garantir "isenção" na tramitação das denúncias na Câmara e que ainda não há decisão sobre a possibilidade de que elas sejam votadas em conjunto, como quer Temer.


Folha de S. Paulo

Janot: delatores perderão benefícios se forem líderes de organização criminosa

Rafael Moraes Moura e Breno Pires

Brasília

Fellipe Sampaio/SCO/STF

  • Procurador-geral da República, Rodrigo Janot

    Procurador-geral da República, Rodrigo Janot

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, admitiu a possibilidade de anulação de contrato de colaboração premiada firmado com os delatores do Grupo J&F se ficar provado que eles eram líderes de organização criminosa.

"Se, durante a instrução do processo criminal que não os envolva mas que envolve outros réus, ficar demonstrado que eles eram líderes de organização criminosa, isso é cláusula contratual de revisão e de rescisão do contrato. Perdem todos os benefícios da colaboração premiada", disse Janot nesta quinta-feira (29).

O comentário foi feito no STF (Supremo Tribunal Federal) após julgamento que estabeleceu como possibilidade única para revisar acordos de colaboração premiada o descumprimento por parte do colaborador do que foi acordado ou a descoberta de alguma ilegalidade.

Janot, porém, fez uma ressalva sobre o caso concreto envolvendo os empresários e irmãos Joesley e Wesley Batista e demais colaboradores do grupo. A PGR acredita que eles não eram líderes de organização criminosa.

"Agora, neste juízo inicial, o que se vê é que a liderança da organização criminosa aponta para o lado oposto", disse Janot. "São agentes públicos que operaram sobre esta questão. E o dinheiro utilizado para a propina e para gerar todos esses ilícitos é o dinheiro público. O privado, em princípio, não tem acesso ao comando de liberação de dinheiro público. Não tem", afirmou.

Liderança

O procurador-geral minimizou a informação trazida durante o julgamento por um advogado que afirmara que Joesley e Wesley teriam sido apontados como líderes de organização criminosa por procuradores da Procuradoria Regional da República na 3ª Região (PRR3), em denúncia apresentada contra o procurador da República Ângelo Goulart Villela, preso na Operação Patmos.

"A investigação da organização criminosa quanto a esse fato, e a outros que têm uma ligação mais ampla, é de competência do Supremo Tribunal Federal e de atribuição do procurador-geral da República. É nesse âmbito do Supremo que se apurará a existência, a extensão e a liderança da organização criminosa", disse Janot.

"O que se fez em SP foi uma nota de rodapé, em que se afirmou indevidamente este fato. O juízo que foi feito para que fizéssemos o acordo foi justamente o oposto, que eles não são líderes de organização criminosa", destacou.

Advogado de defesa do grupo J&F, Pierpaolo Bottini também afirmou que a manifestação dos procuradores não deve ser considerada neste caso.

"A Procuradoria-Geral da República, que é que tem a prerrogativa de definir se há ou não organização criminosa, entendeu que não há liderança de organização criminosa, então o órgão competente para se pronunciar sobre isso já se pronunciou quando ofereceu o benefício", disse Bottini.

Rodrigo Janot não comentou a indicação da subprocuradora-geral da República Raquel Dodge para o cargo de procuradora-geral, como sua sucessora, pelo presidente Michel Temer, anunciada nesta quarta-feira (28).


Estadão Conteúdo e UOL Notícias

ANTT aprova prorrogação de contrato com a Concepa com redução de tarifa na freeway

Diretoria da agência definiu prazo de 12 meses. Vínculo atual termina no dia 4 de julho

Por: Matheus Schuch/RBS Brasília


ANTT aprova prorrogação de contrato com a Concepa com redução de tarifa na freeway Fernando Gomes/Agencia RBS

Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou, no final da tarde desta quinta-feira (29), a prorrogação de forma emergencial do contrato da Triunfo Concepa para administração freeway. A diretoria da agência definiu prazo de 12 meses, e determinou redução da tarifa de pedágio. Os detalhes sobre a proposta serão publicados na edição desta sexta (30) do Diário Oficial da União (DOU).

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O ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União (TCU), já havia anunciado a decisão de autorizar a renovação. O atual vínculo se encerra no próximo dia 4 de julho. Relator do processo, ele concorda que a empresa deve seguir responsável pela rodovia, no trecho de Guaíba a Osório.

A redução do preço do pedágio havia sido indicada pelo Ministério Público de Contas da União, que ingressou com uma ação cautelar no TCU. Nardes entende que o contrato precisa ser renovado para "garantir a capacidade de atendimento na estrada", mas considera as tarifas muito altas.

— A gente tem que fazer um recálculo do pedágio, o pedágio está muito alto e é necessário adaptar à situação atual — disse.

A área técnica do TCU finalizará nos próximos dias o estudo que indicará a nova proposta de tarifa. O assunto será discutido junto à ANTT. Segundo Nardes, o TCU já tomou decisões semelhantes sobre renovação de contrato com redução do preço das tarifas. Procurada, a agência informou que só nesta sexta-feira (30) serão conhecidos os detalhes quanto ao serviços que serão mantidos com a prorrogação, como a operação do vão móvel da ponte do Guaíba, atividades de manutenção da pista e socorro a motoristas.

A posição de Nardes será publicada até esta sexta-feira (30), e passa a ter validade de forma imediata. Depois, o plenário do TCU apreciará a medida, o que deve ocorrer na próxima quarta-feira (5).

A Triunfo Concepa informou, na noite desta quinta-feira (29), que aguarda a oficialização da proposta no DOU para analisar "os termos e condições da proposta, bem como consultar os órgãos deliberativos pertinentes, a fim de que possa decidir sobre a mesma". A instituição também afirmou que deseja "dar sequência ao trabalho prestado à sociedade gaúcha nestes 20 anos".

Enquanto vigorar a prorrogação, o governo federal tentará viabilizar uma nova licitação para a rodovia.


Zero Hora


Cláudia Laitano: poesia numa hora dessas?!
Para muita gente, a arte é sempre um convidado estabanado que aparece cantarolando na festa sem perceber que tudo à volta está desabando.

Rosane de Oliveira: caso da freeway revela mais do que incompetência do governo
Há 20 anos se sabe que o contrato com a Concepa termina em 4 de julho, mas, em vez de fazer nova licitação, a ANTT  autorizou a prorrogação.

Carolina Bahia: no ritmo das denúncias
Um amplo apoio poderá ajudar o governo até mesmo a desarquivar a reforma da Previdência.

Marta Sfredo: nem tudo o que querem, nem tudo o que temem
Texto da reforma trabalhista reforça negociação entre patrões e empregados, mas define pontos inegociáveis.

Gisele Loeblein: Cesa consegue vender apenas duas filiais no primeiro semestre
Companhia vai ofertar de novo a planta de Santa Rosa na próxima segunda-feira e dará continuidade ao plano de venda.

David Coimbra: Sophie
Não falo mais dessa gente má.

Júlia Alves: sopão de talentos
Porto Alegre recebe primeira edição do Ué?! SOPA!, evento beneficente de gastronomia.

Roger Lerina: toca Raul!
Capital receberá dois shows em homenagem a Raul Seixas no mês de julho.

Diogo Olivier: os números assombrosos de Luan e Barrios no Grêmio
Os dois dividem a artilharia do time de Renato Portaluppi na temporada 2017.

Luiz Zini Pires: contra o Palmeiras, Grêmio mostra um de seus piores retrospectos
Equipes já se enfrentaram 51 vezes pelo Brasileirão.

Wianey Carlet: o que falta para o Inter ter uma equipe completa
Trocar de treinador é atalho para um mau trabalho.

Informe Especial: família
Novo decreto migratório de Trump não considera avós como parentes próximos. Por Cadu Caldas (interino).

Defesa de Temer na CCJ terá defecções até em siglas do centrão e no PMDB; quadro preocupa Planalto


POR PAINEL

Homem ao mar Michel Temer terá mais dificuldades do que supunha para garantir que a maioria dos integrantes da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara vote contra a denúncia oferecida por Rodrigo Janot. Além do PSDB, que tem sete deputados no colegiado e estima que, hoje, apenas um esteja disposto a votar a favor de Temer, há defecções no “centrão” e até no PMDB, partido do presidente. O PSD, por exemplo, tem cinco deputados na CCJ e conta três votos a dois pró-Temer, com viés de baixa.

Anéis e dedos Aliados informaram ao presidente que o cenário inspira cuidados. A estratégia de Janot de fatiar as denúncias é vista como matadora para Temer. Na prática, admitem, a PGR conseguiu minar o capital político do peemedebista.

Retrato A CCJ não tem função determinante na aceitação da denúncia, mas oferece um panorama do tamanho da batalha que Temer terá que travar para se manter no Planalto com o aval do plenário da Câmara.

Ampulheta Há forte resistência entre os deputados à suspensão do recesso para a rápida votação da denúncia, como quer o Planalto. Temer foi avisado de que, se quiser encerrar o assunto ainda em julho, terá que apresentar sua defesa à CCJ até terça (4).

Existe? O PMDB quer um deputado de perfil moderado para a relatoria do caso na CCJ. Busca um nome firme, mas sem apego aos holofotes. Sergio Zveiter (PMDB-RJ) e José Fogaça (PMDB-RS) surgem como opções.

Plantão médico Gripada, a deputada Mariana Carvalho (PSDB-RO), que leu a primeira denúncia contra o presidente na Câmara, foi para o plenário com pastilhas no bolso, para minimizar eventual crise de tosse.

Já diz tudo O deputado Heráclito Fortes (PSB-PI) apelidou de “quinta sem lei” os almoços que oferece praticamente todas as semanas a políticos em sua casa, em Brasília. O encontro desta quinta (29) contou com a presença de Michel Temer.

Azedou A Trench, Rossi e Watanabe Advogados esticou a corda com o ex-procurador Marcelo Miller. Ele soube que sua permanência na banca passou a ser objeto de debates e foi sondado sobre eventual interesse em pedir desligamento. A Petrobras está na lista de clientes do escritório.

Olho nele A ligação do coronel João Baptista Lima, amigo de Michel Temer, com a construção de Angra 3 reativou o interesse de procuradores nos relatos de empreiteiras que participaram das obras, fizeram delação e, agora, estão em fase de recall.

Novo round A defesa de Michel Temer recorreu da decisão que vetou ação do presidente contra Joesley Batista por calúnia. Renato Ramos, advogado do peemedebista alega que o dono da JBS “extrapolou o conteúdo da delação ao adjetivar os fatos” em entrevista à revista “Época”.

Nada é por acaso O senador Roberto Rocha (PSB-MA), relator da indicação de Raquel Dodge à chefia da PGR, é um dos principais rivais do governador Flávio Dino (MA), irmão de Nicolao Dino, o mais votado pela ANPR.

Plano de ação O Planalto estima ter hoje 43 votos a favor da reforma trabalhista no Senado. Até o debate no plenário, tentará atrair o apoio de mais cinco senadores.

Não foi fácil Edson Fachin, do STF, fez forte articulação para conseguir sair vencedor do julgamento sobre o alcance da revisão das delações. Ele conversou com diversos ministros antes da sessão desta quinta (29). Conseguiu reconquistar maioria ao topar retirar a palavra “vinculação” de seu voto.

Nova direção O PSDB negocia manter Tasso Jereissati (CE) na presidência da sigla até março de 2018. O governador Marconi Perillo (GO) articula para ficar com a vaga depois disso.


TIROTEIO

Temer desistiu de ir ao G20, na Alemanha. Será que o motivo foi o cancelamento da emissão de passaportes pela Polícia Federal?

DE CARLOS ZARATTINI (SP), líder do PT na Câmara, sobre o presidente, em meio à suspensão de novos documentos, ter desistido de participar do encontro.


CONTRAPONTO

Vencer pelo cansaço

Para fazer com que a sessão que aprovou a reforma trabalhista na Comissão de Constituição e Justiça do Senado durasse 12 horas, a oposição fez de tudo para adiar a votação da matéria. Durante os debates, Gleisi Hoffmann (PT-PR) disse que só falaria quando o relator, Romero Jucá (PMDB-RR), estivesse presente. Roberto Requião (PMDB-PR) ajudou a petista:

— Há uma presunção de que a senadora vai convencer o relator com os seus argumentos. Ela está jogando na inteligência e na racionalidade do nosso oráculo, o Jucá! — brincou, ciente de que a petista jamais conseguiria mudar o voto do líder do governo.


Folha de S. Paulo

Com professores mais bem pagos entre as capitais, Porto Alegre tem ensino mal avaliado em provas

Estudo do Inep diz que média dos vencimentos para 40 horas semanais era de R$ 10.947,15 em 2014; Sindicato dos Municipários contesta dados

Por: Itamar Melo


Com professores mais bem pagos entre as capitais, Porto Alegre tem ensino mal avaliado em provas Jefferson Botega/Agencia RBS

Foto: Jefferson Botega / Agencia RBS

A remuneração dos professores das escolas municipais de Porto Alegre tornou-se, na semana passada, um tema incandescente, graças à divulgação de um estudo sobre médias salariais realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). De acordo com o levantamento, com dados referentes a 2014, uma jornada semanal de 40 horas representa, na rede de ensino da Capital, uma média de proventos mensais de R$ 10.947,15. Porto Alegre seria, com larga margem de folga, a rede que paga melhor entre as capitais (a média é de R$ 3.116). Ofereceria também remuneração superior àquela das escolas federais, estaduais e privadas.

O ranking provocou reações imediatas. Enquanto o Sindicato dos Municipários (Simpa) afirmava que os números do Inep não condizem com a realidade — e, de fato, há detalhes nebulosos na estatística —, o prefeito Nelson Marchezan divulgava os resultados nas redes sociais, sublinhando que eles não se refletiam em aprendizado dos alunos.

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A manifestação do prefeito encontrou eco na posição de alguns especialistas em educação. Eles consideram louvável que a escola municipal de Porto Alegre ofereça boa remuneração, mas apontam para a má qualidade de ensino. Apesar dos salários acima da média e do elevado investimento por aluno, a rede da prefeitura tem sistematicamente apresentado

resultados constrangedores nas avaliações. No Ideb de 2015 (confira o ranking das capitais no fim do texto), os alunos ficaram entre os piores do país, na comparação com os de outras capitais. Em cidades onde os professores ganham menos do que metade do que é pago em Porto Alegre, conforme o estudo do Inep, os alunos se saíram melhor nos exames.

— Porto Alegre tem a chance de nos ensinar alguma coisa. A cidade fez algo que outros lugares deveriam fazer, que é pagar melhor o professor. Mas o que a gente está aprendendo é que isso não resolve os problemas de aprendizado. O ponto que a sociedade de Porto Alegre tem que discutir é o seguinte: por que temos os resultados que temos? Ter alunos abaixo do básico em Porto Alegre é muito mais sério do que em outro lugares, porque a escola tem melhores condições — diz o professor mineiro Francisco Soares, ex-presidente do Inep.

A Secretaria Municipal de Educação (Smed) afirma que os números revelados pelo instituto estão em sintonia com seus próprios registros. De acordo com levantamentos deste ano, a média salarial da rede, considerando todos os profissionais com jornada de 20 ou 40 horas, é de R$ 7.112,40. Considerando só os que têm 40 horas, R$ 9.294,51.

— Há muitas maneiras de fazer o cálculo, e o resultado depende do que se leva em consideração, como 13º ou férias, mas o número do Inep é muito próximo do número que temos. Estamos falando do mesmo patamar — afirma o secretário municipal de Educação, Adriano Naves de Brito.

Há, contudo, algo no estudo do Inep que não fecha com o que se sabe. Conforme o instituto, os professores de Porto Alegre trabalham, em média, 20 horas por semana e têm remuneração bruta média de R$ 5,5 mil. É projetando quanto ganhariam para 40 horas que se chega a R$ 10,9 mil. Mas os professores da cidade trabalham mais de 20 horas em média. A maioria tem jornadas de 40 horas.

ZH questionou o Inep sobre a discrepância. O instituto respondeu, por e-mail, ter retirado os números da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), a partir de informes feitos pelo município. ZH questionou se, havendo os pesquisadores realizado os cálculos sobre uma carga horária errada, a remuneração final divulgada não poderia estar distorcida. O Inep respondeu apenas que "o cálculo da remuneração média bruta e a padronizada para 40h usam para o seu cálculo a carga-horária informada na Rais".

O Simpa contesta a remuneração apresentada e atribui os maus resultados da escola municipal nas avaliações educacionais ao fato de que os testes não levam em conta as características de cada comunidade e à circunstância de que a rede atende alunos de muito baixa renda.

— Trabalhei na Escola Timbaúva, na Zona Norte, e, quando cheguei lá, as crianças não sabiam usar garfo e faca, não conheciam nenhuma história infantil, porque não há tradição de leitura nessa comunidade. Então, a escola acaba tendo de ensinar outras coisas além do conteúdo. Essas crianças vão levar mais tempo para adquirir o que a escola se propõe a trabalhar — defende Ivam Martins de Martins, diretor de comunicação do sindicato.

Em meio à polêmica pós-divulgação dos dados do Inep, essa linha argumentativa foi adotada por professores do município para explicar o aprendizado precário das crianças. De fato, há uma quantidade considerável de estudos demonstrando que o fator mais decisivo para o desempenho escolar não é a escola ou o professor e, sim, o nível socioeconômico familiar. O sociólogo Simon Schwartzman, ex-presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

(IBGE), debruçou-se sobre os resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e constatou que, em todas as redes de ensino, a nota média dos alunos crescia de acordo com o nível de escolaridade dos pais, um importante indicador socioeconômico. Mas Schwartzman entende que tal justificativa não é aceitável para Porto Alegre:

— Há escolas com alunos em má situação socioeconômica que obtêm bom resultado, porque a forma como a escola funciona também é importante. Se você compara redes públicas que atendem populações semelhantes e uma delas apresenta salários altos e desempenho baixo, então existe um problema aí. Todo mundo deveria receber um bom salário. Mas a lição que se tira disso é que não se resolve o problema da educação simplesmente aumentando o salário do professor. Tem de mexer nas questões de funcionamento, de gerenciamento da escola.

Recente relatório do Tribunal de Contas (TCE) do Estado mostra que, entre as redes municipais das capitais, Porto Alegre atende à quarta população com melhor condição socioeconômica.

— Se Porto Alegre tem boa condição socioeconômica, se foi a capital que investiu o maior valor por aluno, se tem professores bem remunerados, se tem uma estrutura boa, então qual é a causa do mau resultado? Era de esperar que figurasse entre as primeiras capitais em termos de resultados educacionais — ressalta o auditor do TCE Vinícius Lacerda.

Adriano Naves de Brito, o secretário municipal de educação, considera inaceitável atribuir o mau desempenho dos estudantes ao baixo nível social.

— Temos de parar de dizer que nossos números não são bons porque nossos alunos não são capazes de aprender — considera Brito, acrescentando: — Não estou dizendo que os professores deveriam receber mal. Mas precisamos ter uma contrapartida.

Sindicato contesta valores da pesquisa

Entidades que representam os professores contestam o estudo do Inep sobre remuneração. Ivam Martins de Martins, diretor de comunicação do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa), afirma que os números não batem com o que consta do Portal Transparência da prefeitura, onde os salários são discriminados. Ele diz que um levantamento do sindicato no portal indica, para 40 horas semanais, média salarial bruta de R$ 6.951 e líquida de R$ 5.275. Segundo Martins, entre os 4 mil professores da rede, haveria 70 com salário líquido acima de R$ 10 mil e 660 que recebem salário bruto acima de R$ 10 mil:

— Não é como o prefeito diz. São só aqueles que estão em fim de carreira, com as vantagens que se atinge ao longo do tempo. Não vamos nos rebaixar ao tipo de provocação e ataque ao serviço público que o prefeito tem feito. Ele sabe que esses dados não são realidade. Ele joga dados falsos, assim como está jogando desde o inicio da gestão a respeito de não ter dinheiro na prefeitura, e quer ganhar a opinião pública contra os trabalhadores. Essa é a batalha dele, tentar desqualificar os professores municipais.

O diretor do Simpa cita ainda o relatório sobre a rede municipal produzido pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), que calcula média salarial de R$ 2.474,84 para 20 horas semanais. A Smed respondeu que "a média salarial para 20 horas que consta do relatório considera apenas os vencimentos e a progressão funcional e não contabiliza as vantagens referentes a triênios, difícil acesso, gratificação por classe especial e adicional por tempo de serviço". Ainda segundo a secretaria, "os dados do TCE são de 2015 e apresentam uma estimativa, enquanto a Smed apresenta dados concretos do pagamento da folha salarial, o que pode ser verificado no Portal da Transparência".

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) mostra contrariedade com as "inconsistências metodológicas" do trabalho feito pelo Inep, que "estarrecem por estarem tão evidentes e claros, de modo que qualquer estagiário em pesquisa social deveria sugerir a interrupção de divulgação de uma pesquisa que aponta que um professor da rede estadual do Pará, por exemplo, afira remuneração de mais de R$ 10 mil. É estarrecedor, reforça-se, que uma pesquisa com uma informação desse tipo não tenha retornado ao setor de controle para a verificação desse dado". Em nota, a CNTE faz vários questionamentos sobre o método e conclui dizendo que "não aceitará que esses resultados distorcidos divulgados por essa pesquisa sejam referência para qualquer debate acerca da carreira docente e da formulação dos novos valores do Custo Aluno-Qualidade Inicial".

O Inep disse, em e-mail a ZH, "que a metodologia proposta no estudo é consistente, já que 93,3% dos docentes registrados no Censo Escolar foram localizados na Rais, dos quais 97,2% das informações atenderam aos requisitos metodológicos do estudo. Esse número é uma evidência de que os resultados declarados à Rais tem representatividade estatística, podendo ser utilizados para praticamente todos os municípios brasileiros".

Falta formação e falta avaliação, diz TCE

Pouco antes da divulgação do estudo do Inep, um relatório de mais de 400 páginas, elaborado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), já havia colocado as escolas municipais de Porto Alegre sob os holofotes, apresentando um duro diagnóstico sobre a rede, que amargaria maus resultados como consequência de "ineficiência e ineficácia da política educacional". O auditor público externo Vinícius Lacerda, um dos autores do relatório, diz que o levantamento do Inep apenas reforça o que as pesquisas acadêmicas já teriam constatado: a inexistência de uma correlação entre remuneração dos professores e desempenho educacional.

— Principalmente os aumentos lineares, dados a toda a categoria, não geram melhoria nos resultados educacionais — argumenta.

O relatório do TCE levanta hipóteses para explicar por que o desempenho das crianças é tão fraco, mesmo que Porto Alegre tenha sido a Capital que mais gastou por aluno entre 2008 e 2015. Uma delas seria o fato de o plano de carreira privilegiar professores com mestrado, que entram em uma classe diferenciada de educação, ainda que estudos citados pelo tribunal apontem que a titulação não proporcione avanços no aprendizado.

— O que os estudos demonstram é que o mestrado tem um nível teórico muito alto e, por isso, acaba não refletindo diretamente na aprendizagem. E a formação que poderia ter impacto, a formação continuada, que ocorre em serviço, não existe em Porto Alegre. A prefeitura de Sobral, no Ceará, que apresenta resultados educacionais excelentes, oferece ao professor um curso de formação inicial de 200 horas. Porto Alegre ofereceu aos ingressantes do último concurso uma formação de apenas quatro horas. Isso não é formação — diz o auditor.

O relatório do TCE também diz que os professores da Capital não passam por avaliações. Quando ingressam, eles têm um estágio probatório — mas apenas dois professores foram reprovadas nessa fase desde 1960. Quando atingem a estabilidade, os docentes deixam de ser avaliados.

— Isso é desastroso em termos de gestão de recursos humanos. Toda a literatura aponta para a necessidade de avaliação em serviço — analisa Lacerda.

O secretário municipal Adriano Naves de Brito diz que a prefeitura recebeu o relatório do tribunal "sem surpresa, mas com responsabilidade" — a atual administração tem dado bastante visibilidade ao trabalho do TCE. Brito concorda que o que falta na rede de escolas é gestão:

— Não se pode falar agora em melhorar as condições, mas em melhorar a gestão das condições.

Dados teriam sido censurados

Presidente do Inep entre 2014 e 2016, na presidência de Dilma Rousseff, o educador mineiro Francisco Soares revela que os dados sobre a remuneração dos professores já haviam sido levantados dois anos atrás, quando ele ainda liderava o instituto:

— Embora tenha autonomia formal, na prática o Inep depende muito das decisões que são feitas no âmbito do Ministério da Educação. O instituto não tem liberdade de fazer o seu trabalho. Não tivemos condições de divulgar isso. São dados que estavam processados há muito tempo. Por que só estão aparecendo hoje?

Soares acredita que a não divulgação esteja relacionada com a repercussão social que os dados poderiam ter, por colocarem em xeque uma ideia defendida pelos sindicatos:

— Toda a fala do sindicato está baseada nisto: "Pague mais se você quer melhor qualidade de educação". Porto Alegre não pode falar isso. Esses dados colocam questões que antes não podiam ser colocadas. Por isso é que passaram dois anos até serem publicados. Porque dizem: "Mesmo se gastássemos o que se diz que deveríamos gastar, um número enorme de crianças vai continuar sem ter o direito de aprender garantido". Temos essa ideia do professor herói. A grande reflexão que precisa ser feita é que não é só o salário que vai resolver.

ZH tentou falar com o ministro da Educação no período, Renato Janine Ribeiro, mas não conseguiu contato. A reportagem também perguntou ao Inep o motivo de o levantamento ter sido divulgado apenas agora, se os dados já estavam disponíveis desde 2015. O instituto respondeu que o "trabalho está sendo desenvolvido pelo Inep há dois anos, mas sua conclusão só se deu recentemente".

NOTAS NO IDEB 2015 (Capitais)

Séries iniciais
Curitiba — 6,30
Palmas — 6,20
Florianópolis — 6,10
Teresina — 6,10
Belo Horizonte — 6,10
São Paulo — 5,80
Rio Branco — 5,80
Goiânia — 5,60
Rio de Janeiro — 5,60
Vitoria — 5,60
Cuiabá — 5,50
Boa Vista — 5,50
Fortaleza — 5,40
Manaus — 5,40
Campo Grande — 5,40
Porto Velho — 4,80
Salvador — 4,70
Natal — 4,70
São Luís — 4,60
Joao Pessoa — 4,60
Recife — 4,60
Belém — 4,60
Porto Alegre — 4,60
Aracaju — 4,40
Maceió — 4,40
Macapá — 4,40

Séries finais
Palmas — 5,60
Curitiba — 5,30
Teresina — 5,20
Campo Grande — 5,00
Florianópolis — 4,90
Belo Horizonte — 4,80
Goiânia — 4,60
Macapá — 4,60
Cuiabá — 4,50
Fortaleza — 4,40
Manaus — 4,30
Vitoria — 4,30
São Paulo — 4,30
Rio de Janeiro — 4,30
Belém — 4,00
São Luís — 3,90
Porto Alegre — 3,80
João Pessoa — 3,80
Natal — 3,60
Recife — 3,50
Porto Velho — 3,50
Salvador — 3,40
Maceió — 3,40
Aracaju — 3,40


Zero Hora

Helenir Schürer é reeleita para a presidência do Cpers/Sindicato

Candidata da Chapa 2 – Cpers Unido e Forte terá mais um mandato de três anos à frente da maior entidade sindical do sul do Brasil


Helenir Schürer é reeleita para a presidência do Cpers/Sindicato Félix Zucco/Agencia RBS

Natural de Canoas, Helenir já dirigiu um núcleo em Santana do Livramento e hoje vive em Porto AlegreFoto: Félix Zucco / Agencia RBS

Venceu a situação na eleição do Centro dos Professores do Estado Rio Grande do Sul (Cpers/Sindicato), realizada na terça (27) e na quarta-feira (28): a atual presidente, Helenir Aguiar Schürer, da Chapa 2 — Cpers Unido e Forte, conquistou um mandato de mais três anos à frente da maior entidade sindical do sul do Brasil. Às 4h30min desta quinta-feira (29), quando o total de urnas apuradas se aproximava dos 90%, Helenir tinha 55% dos votos, contra 38% da segunda colocada, a ex-presidente Rejane Silva de Oliveira.

Aos 63 anos, a canoense Helenir exibiu na campanha, como conquistas de seu primeiro período na presidência, as melhorias nas condições financeiras do sindicato, com acerto de dívidas e prestação de contas online, e ações na área pedagógica, como as mostras de trabalhos escolares.

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Quem está à frente das chapas que disputam as eleições do Cpers
Oposição se une para disputar eleição no Cpers

Criticada por seus oponentes por manter uma postura "branda" em relação ao governo estadual, ela promete ser implacável com o Piratini. Para amenizar divergências dentro da entidade, Helenir, que já dirigiu um núcleo em Santana do Livramento e hoje vive em Porto Alegre, pretende ampliar as discussões com a base.

– Quero agradecer a nossa categoria. Essa vitória foi o resultado de um trabalho que a gente desenvolveu por três longos anos. Vamos continuar nessa construção de um sindicato respeitado, forte, que se aproxima cada vez mais da base, com uma discussão pedagógica, corporativa e de direitos dos trabalhadores – disse a presidente reeleita.

Além de Rejane, que esteve à frente do sindicato por dois mandatos, de 2009 a 2014, e concorreu pela Chapa 1: A Categoria em Primeiro Lugar, Unida para Lutar – Oposição, Helenir disputou a eleição com Lucas Cortozi Berton, da Chapa 4: Construção pela Base – Por um Cpers Organizado pela Base e de Luta pelo Socialismo, e Tânia Mara Magalhães Freitas, da Chapa 5: Lutar Sempre.


Zero Hora


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Confiança dos empresários do setor de serviços cai em junho

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O Índice de Confiança de Serviços, medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), recuou 2,8 pontos entre maio e junho, atingindo 81,9 pontos, em uma escala de zero a 200 pontos. Na passagem de abril para maio, o indicador havia avançado 0,5 ponto.

De acordo com a FGV, o principal responsável pelo recuo do indicador em junho foi a piora da expectativa dos empresários do setor de serviços no futuro. O Índice de Expectativas caiu 5,2 pontos e atingiu 86,5 pontos. Já a confiança dos empresários de serviços no momento atual caiu menos (-0,4 ponto) e chegou a 77,5 pontos.

Os empresários apontaram como principal entrave à atividade a demanda insuficiente: 39,4% citaram esse problema. Outro problema apontado foi o clima político, que supera pela primeira vez o período eleitoral de 2014.

O Nível de Capacidade Instalada do setor de serviços caiu 0,9 ponto percentual e atingiu 81,5% em junho, o menor nível da série histórica da pesquisa.


Agência Brasil


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Inep vai criar sistema de avaliação de qualidade na educação infantil em todo o país

Creches e pré-escolas terão espécie de Ideb para indicar demanda, qualidade da infraestrutura e oferta de vagas

Por: Cristian Edel Weiss


Inep vai criar sistema de avaliação de qualidade na educação infantil em todo o país Daniel Conzi/Agencia RBS

Primeiro ciclo de avaliação da educação infantil deve ocorrer em 2019Foto: Daniel Conzi / Agencia RBS

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) vai criar uma avaliação específica da qualidade de centros de educação infantil. A informação foi confirmada na tarde desta quinta-feira pela presidente do órgão, Maria Inês Fini, durante o 1º Congresso de Jornalismo de Educação (Jeduca), que ocorre em São Paulo.

O levantamento será chamado de Avaliação Nacional da Educação Infantil (Anei) e que desde 2011 era discutido, mas foi interrompido em 2015. Será uma espécie de Ideb e Censo Escolar do ensino infantil – que contempla creches e unidades pré-escolares – mas não haverá avaliação individual de alunos.
O processo será relacionado à aplicação do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica – principal indicador que forma nota do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) –, aplicado a cada dois anos. O primeiro ciclo da avaliação deve ocorrer em 2019. O objetivo é verificar as condições de infraestrutura, banheiros adequados, indicadores de oferta e demanda, por exemplo.
– Nós não avaliaremos crianças, nós avaliaremos as condições de oferta na educação infantil. Então, uma série de questões ainda está sendo radicalmente analisada e alguns dados nós vamos incluir no Censo [Escolar] de 2019, porque o de 2018 já está formatado, com dados de cobertura, acesso, permanência, o espaço físico, por exemplo, se há mobiliário adequado, os sanitários, quantos brinquedos pedagógicos deveriam ter – explica a presidente do Inep.
Enem por escola não será mais divulgado
A presidente do Inep afirmou ainda que a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) por Escola, antes publicado anualmente com notas das últimas provas aplicadas por alunos de cada instituição de ensino, não será mais divulgado.

Conforme Maria Inês, desde 2009 o Enem vem perdendo a característica de sistema de avaliação do ensino médio, ao assumir a atribuição de forma de ingresso nas universidades públicas via Sistema de Seleção Unificada e nas privadas, com bolsas do Programa Universidade para Todos (ProUni).

No entendimento de Maria Inês, o exame tem focado menos o conteúdo aprendido exclusivamente no ensino médio, o que o enfraquece como forma de avaliar essa etapa do ensino por meio de ranqueamento.
Os dados eram calculados para estabelecimentos de ensino que tivessem, matriculados, no mínimo, 10 estudantes do 3º ano do ensino médio e 50% de estudantes dessa série como participantes do Enem.
– Ele não pode nem com 10 alunos, nem com 15, nem com 20 nem com todos, caracterizar a qualidade da escola. O que foi feito foi indevido. Todas as equipes técnicas que trataram com o Enem e com a construção de indicadores, por unanimidade pediram que não fizéssemos isso. Então, o Enem por Escolas não teremos mais.
Como será o Enem após a reforma do ensino médio
O novo formato do Enem, ainda sem data para ser oficialmente aplicado, está sendo planejado, mas depende da reforma do ensino médio e da aprovação da Base Nacional Curricular Comum para essa etapa do ensino, que segundo o presidente do Conselho Nacional de Educação e secretário da Educação de SC, Eduardo Deschamps, só deve ocorrer a partir do primeiro semestre de 2018.
No novo ensino médio, os alunos terão 1.800 horas de aula com disciplinas obrigatórias para todos e flexibilização do currículo em outras 1.200 horas, para permitir que o estudante se dedique ao aprofundamento acadêmico nas áreas eletivas ou a cursos técnicos, em áreas como linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e sociais aplicadas e formação técnica e profissional.
Conforme a presidente do Inep, o novo Enem deve focar apenas no conteúdo obrigatório a todos os alunos, para permitir equilíbrio na avaliação.

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Zero Hora

Planalto quer reforma trabalhista valendo em duas semanas

Temer busca aprovar reforma trabalhista no Senado para reforçar defesa contra denúncia por corrupção na Câmara

Por: Guilherme Mazui / RBS Brasília


Planalto quer reforma trabalhista valendo em duas semanas Marcos Oliveira/Agência Senado/Divulgação

Proposta do Planalto foi aprovado em comissão na quarta-feira e agora depende de votação no plenário do SenadoFoto: Marcos Oliveira / Agência Senado/Divulgação

Com uma vitória no Senado na próxima semana, o Palácio do Planalto quer reforçar sua defesa na Câmara. Denunciado por corrupção passiva, o presidente Michel Temer aposta na aprovação da reforma trabalhista para segurar o apoio do mercado e demonstrar força política, fatores considerados decisivos para engavetar as acusações do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

No cronograma traçado pelo governo, as mudanças na legislação trabalhista entram em vigor na segunda semana de julho, com a sanção presidencial e a publicação de medida provisória que vai aprimorar pontos vetados, conforme acordo entre Planalto e senadores.

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Temer almeja aprovar o projeto no plenário do Senado entre quarta e quinta-feira com placar dilatado, a fim de passar a imagem de que, apesar dos "ataques" de Janot, mantém maioria parlamentar. Os estrategistas do presidente consideram essa vitória vital para arregimentar com folga os votos que arquivam na Câmara a denúncia — ou as denúncias — do procurador-geral — 172 para cada peça acusatória.

— Aprovar a reforma trabalhista vai demonstrar que o presidente controla o processo político e que ele é a liderança capaz de conduzir a agenda de reformas, que é a prioridade do país — afirma o deputado Jones Martins (PMDB-RS), um dos cotados para relatar a primeira denúncia contra Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.

A busca por fôlego faz o Planalto mobilizar a tropa de choque no Senado. Na próxima terça-feira, a base tentará aprovar a urgência da reforma, a fim de barrar o retorno do projeto às comissões caso surjam emendas. Se o texto do projeto for modificado, terá de ser votado mais uma vez na Câmara, atrasando o calendário político de Temer. O presidente, inclusive, empenhou a palavra atrás de apoio.

Na quarta-feira, durante a aprovação da reforma na CCJ, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), leu carta de Temer aos parlamentares, na qual ele se compromete a vetar pontos controversos da proposta para parte dos senadores e editar medida provisória para aprimorá-los (leia ao lado). A promessa não convenceu a todos.

— Por segurança jurídica, o governo precisa apresentar garantias mais firmes do que a carta — afirma Lasier Martins (PSD-RS), único senador que se absteve na votação de quarta-feira.

Jucá assegura que o acordo será honrado. O Planalto não abre mão de emplacar o trabalho intermitente. A tendência é estabelecer quarentena de 18 meses para que um empregado migre do contrato atual para o novo modelo. O governo deve restabelecer a vedação ao trabalho em local insalubre de gestantes e lactantes e avalia só permitir a jornada de 12 horas com 36 de descanso por meio de acordo coletivo. Ainda há recomendação de reduzir de forma gradual o imposto sindical.

— Esse compromisso atinge 90% da preocupação dos senadores. No dia da sanção, será imediatamente publicada uma medida provisória que vai ajustar — garantiu Jucá.

O Ministério do Trabalho ainda não começou a avaliar a redação da medida provisória, pois aguarda o avanço das negociações. Líderes aliados ao governo confiam que a promessa de Temer viabilizará a aprovação da reforma sem mudanças.

— O governo terá uma vitória exemplar, pelo mesmo placar do impeachment (61 a 20) de Dilma (Rousseff) — projeta Paulo Bauer (SC), líder do PSDB.


Zero Hora

Após apelo de morador, EPTC reforça sinalização em rua com 10 acidentes em seis meses

Reportagem de ZH mostrou, na segunda-feira, que morador acompanha problema na Américo Vespúcio desde janeiro

Por: Bárbara Müller


Após apelo de morador, EPTC reforça sinalização em rua com 10 acidentes em seis meses  Robinson Estrásulas/Agencia RBS

Legenda de "devagar" foi pintada na Rua Américo VespúcioFoto: Robinson Estrásulas / Agencia RBS

Uma reivindicação de seis meses do analista de suporte Thiago Salvador — para reforçar a sinalização em uma esquina onde flagrou 10 acidentes desde janeiro — foi atendida na manhã desta quinta-feira (29) pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC).

O caso foi mostrado por ZH na segunda-feira, depois que Salvador publicou no Facebook fotos das colisões que vem acompanhando desde o início do ano. Na época, fez o primeiro pedido à EPTC de mudanças na sinalização das ruas Américo Vespúcio com Portugal. Ali, as árvores e carros estacionados perto da esquina prejudicavam a visão dos motoristas, argumentava o morador do bairro São João.
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Técnicos da EPTC foram ao local e determinaram reforço na sinalização. Duas placas indicando preferencial à frente na Rua Portugal foram colocadas. As áreas de canalização foram aumentadas para dar mais visibilidade aos motoristas no cruzamento e as legendas de "pare" e "devagar" foram repintadas nas pistas. A poda nas árvores que encobriam a sinalização nas esquinas também foi feita.

De acordo com a EPTC, o reforço da sinalização não havia sido feito antes porque o órgão não tinha registro de "grande incidência de acidentes" no local. Das 10 colisões testemunhadas por Salvador, apenas quatro estão registradas na EPTC. Isso atrapalha a tomada de providências com agilidade. O órgão salienta a importância de se registrar ocorrências quando acidentes acontecem.

— Nós não tínhamos problema nesse cruzamento. O que tinha antes já era uma sinalização reforçada. É uma situação que depende dos dois lados: se as pessoas respeitarem as sinalizações, os acidentes não acontecem — relata Isabel Haifuch, coordenadora da Gerência de Planejamento de Trânsito e Circulação da EPTC.

Ela diz ainda que o aumento da área em que só passa um carro decorreu "em função do desrespeito". Um dos maiores problemas da região é o estacionamento nas áreas de proibição. Na quarta-feira, técnicos da EPTC constataram que, além das árvores, os carros deixados nas áreas de canalização — que servem para estreitar a pista e reduzir a velocidade — atrapalhavam a visibilidade dos condutores. Daqui para frente, garante o órgão, agentes de trânsito vão reforçar a fiscalização.

— Só em um hora, vi 12 carros estacionarem na área proibida. E isso faz com que quem vem da Rua Portugal tenha que embicar o carro quase no meio do cruzamento. Aí acontecem os acidentes. Então, aumentamos a área de canalização e reforçamos a sinalização dela para que as pessoas não estacionem mais lá — comenta Carla Medeiros de Oliveira, arquiteta da EPTC.

Na noite de quarta, Salvador viu agentes de trânsito no local, mas seguirá atento para "ver se algo mais será feito":

— Vi que eles reforçaram a sinalização e expandiram a área de recuo. Exige manutenção, tem que observar mais dias se o cuidado será mantido.

Para ele, outra solução, também, seria colocar uma lombada na Américo Vespúcio para fazer com que os motoristas diminuam a velocidade. A EPTC explica os motivos de não adotar a medida.

— Não é o caso de implantação de lombada, ou até de semáforo, porque não há grande movimentação de carros para justificar essa instalação — explica Isabel Haufich.

Zero Hora