Mãe da criança esteve na delegacia de São Gabriel nesta quarta-feira para prestar depoimento
O homem de 40 anos preso por jogar o próprio filho de uma ponte sobre o Rio Vacacaí, em São Gabriel, demonstrou emoções ao falar sobre o crime, mas em nenhum momento expressou arrependimento. O crime ocorreu na terça-feira (25), por volta do meio-dia, e o próprio autor procurou a polícia para confessar.
Segundo o delegado Daniel Severo, responsável pelo caso, o suspeito foi interrogado e admitiu que o crime foi motivado por vingança, por não aceitar o término do relacionamento com a ex-companheira e mãe da criança, ocorrido em novembro do ano passado. “Ele diz que tinha fixa a ideia de se vingar da ex-mulher, mas o pensamento que mais recorria era atentar contra a vida dela. Ele, inclusive, havia externado isso para a irmã, mas ele mudou de ideia em algum momento no final de semana”, relata.
Apesar do plano de acabar com a vida da mulher, não havia um grande histórico de violência entre o casal. Após o término, ela chegou a registrar uma ocorrência online por conta de danos causados por ele a coisas de casa, mas não deu andamento ao pedido de medida protetiva, pois estava mudando de cidade e, naquele momento, supostamente, não havia necessidade da solicitação.
Na cabeça do autor, porém, a ideia de vingança foi fomentada ao longo dos últimos meses. “Ele não tinha o histórico de violência, mas a família descreve que para ele a separação foi um trauma muito grande. Ele afirma que o término aconteceu sem motivos e foi surpreendente”, relata Severo.
Depois do término, a mulher se mudou com o filho para a cidade de Nova Hartz, no Vale do Sinos, onde, no último sábado (22), o homem buscou o filho para passar alguns dias na Fronteira Oeste. O delegado revelou que, na noite anterior ao crime, o homem tentou esganar a criança, mas o menino recuperou os sinais vitais.
Já no dia seguinte, ele colocou o filho em uma bicicleta e circulou por São Gabriel até chegar à ponte do Rio Vacacaí, onde o arremessou de uma altura de cerca de 10 metros. Parte do trajeto foi flagrado por câmeras obtidas pela Polícia Civil. A criança morreu logo após ser atirada, mas somente os laudos do Instituto-Geral de Perícias (IGP) poderão dizer se a criança morreu na queda, ou se acabou se afogando.
Após o crime, o homem foi almoçar normalmente. Cerca de uma hora depois, contou a uma irmã o que havia feito e seu cunhado procurou a Delegacia de Polícia da cidade para registrar o Caso. Neste meio tempo, o autor se apresentou na Brigada Militar (BM).
Ele confessou o homicídio, explicou a motivação e não solicitou advogado. Para o delegado, o homem não se mostrou totalmente frio, mas também não se arrepende. “Ele chegou a embargar a voz em alguns momentos durante o depoimento. Ele não é totalmente frio, mas é alguém determinado a se vingar. Ele expressou sentimento, mas arrependimento não. Ele diz que quer que ela se arrependa antes (pela separação)”, detalha Severo.
A mãe da criança se dirigiu até São Gabriel nesta quarta-feira (26) para prestar depoimento e agilizar os trâmites necessários para a liberação do corpo do filho. O inquérito segue em andamento para esclarecer todos os detalhes do crime.
A Polícia Civil também busca imagens de câmeras de segurança e testemunhas que possam ter presenciado o crime, além de aguardar os resultados da necropsia. Entretanto, com a confissão e materialidade coletada, já há elementos para a imputação do crime.
Correio do Povo
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