Após bela escalada nas provas de florete individual masculino, o brasileiro Guilherme Toldo perdeu as quartas de final para o italiano Daniele Garozzo e está fora da disputa nessa modalidade.
O brasileiro ganhou três provas hoje (7), passando pela primeira e segunda fases e pelas oitavas de final de manhã, mas não conseguiu passar pelo italiano, que foi muito superior desde o início do jogo.
Garozzo encerrou a competição ainda no primeiro tempo, por 15 a oito e segue para a semifinal em busca do ouro olímpico. Mais cedo, Toldo chegou a vencer o atual campeão do mundo, Yuki Ota, e atingiu um dos melhores desempenhos de esgremistas brasileiros em olimpíadas.
Ele se emocionou ao final e recebeu o apoio da torcida pelo belo desempenho.
Ciência sem Fronteiras deve acompanhar bolsistas na volta ao país, diz Capes
Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil*
O programa Ciência sem Fronteiras deve se preocupar em aproveitar a experiência dos bolsistas quando retornam ao Brasil. É o que defende o presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Abilio Baeta Neves, em entrevista à TV Brasil: “O programa tem que ter reinserção para que depois o estudante não fique rolando no mercado de trabalho ou fique sem a inserção adequada. Isso não é interessante”.
O programa Ciência sem Fronteiras foi lançado em 2011 com a meta de conceder inicialmente 101 mil bolsas - 75 mil bancadas pelo setor público e 26 mil por empresas privadas. As bolsas são voltadas para as áreas de ciências exatas, matemática, química e biologia, engenharias, áreas tecnológicas e de saúde. Uma segunda fase do programa deveria ter começado no ano passado, mas em ano de ajuste fiscal, após concluir a meta inicial, o programa foi suspenso para avaliação.
No último dia 25, a Capes anunciou algumas das modificações que deverão ocorrer, entre elas o fim das bolsas para a graduação. Na primeira fase, 78,9% das bolsas foram concedidas a graduandos.
Neves diz que os critérios para a selação de bolsistas na pós-graduação, que inclui análise de projeto e adequação às linhas de pesquisa das instituições internacionais, deve ser mantido, mas que o Ciência sem Fronteiras deve se preocupar com o aproveitamento dos estudantes quando retornam ao país. Ao falar sobre as bolsas de doutorado e pós-doutorado, lembra que é preciso pensar na inserção dos pesquisadores.
“A ideia de mandar para o exterior é que isso seja proveitoso para o nosso sistema de pesquisa”, afirma o presidente. “Reinserir esses indivíduos em um sistema universitário de pesquisa ou inovação é importante para que o programa tenha o impacto desejado desde o início”.
A reformulação ainda está sendo feita e Neves não detalhou como será o acompanhamento do retorno dos bolsistas. Segundo ele, o governo está dialogando com as universidades para aumentar a participação delas no acompanhamento dos intercambistas. “De certo modo, o programa aconteceu sem grande envolvimento das universidades brasileiras. Houve um ganho significativo pessoal, mas não houve impacto, não agregou tanto valor assim aos cursos das universidades do Brasil”.
Primeiro avião do mundo específico para atletas é apresentado na Casa da Rússia
Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil
Foi apresentado hoje (7) na Casa da Rússia, no Clube Marimbás, no Rio de Janeiro, o protótipo do primeiro avião do mundo voltado especialmente para o transporte de atletas profissionais. Desenvolvido pela empresa Sukhoi Civil Aircraft, o SportJet é equipado com aparelhos médicos que realizam exames variados. É a primeira vez que o avião é exposto ao público.
Casa da Rússia, em Copacabana, apresenta o protótipo do primeiro avião desenvolvido especialmente para atletas profissionais, o SportJet, e mostra sua culturaTânia Rêgo/Agência Brasil
A aeronave tem operação prevista para o final de 2017, informou o vice-presidente sênior da companhia russa, Evgeniy Andrachnikov. A ideia, segundo ele, é que os atletas possam, durante uma viagem, se recuperar de algum problema, como uma contusão ou estresse devido ao longo voo, por exemplo, com auxílio dos equipamentos e equipes médicas a bordo.
O avião tem capacidade para equipes esportivas de cerca de 50 pessoas, incluindo médicos, fisioterapeutas, técnicos, mas pode ser adaptado para mais assentos. Há camas específicas para massagens, fisioterapia, tratamento de lesões e inflamações. Entre os equipamentos, está uma cápsula para diagnósticos precisos dos atletas, aparelhos para treinos, entre outras novidades.
A médica do SportJet, Irina Zelenkova, disse à Agência Brasil que representantes do Comitê Olímpico Internacional (COI) e dos comitês dos Estados Unidos e Grécia já visitaram o protótipo, mostrando interesse no projeto. “Acreditamos que vai ser útil para atletas de todo o mundo”, externou. “A aeronave ajuda a atender de forma mais ágil as necessidades dos atletas que, assim, podem relaxar”.
O avião tem capacidade para equipes esportivas de cerca de 50 pessoas, incluindo médicos, fisioterapeutas, técnicos, mas pode ser adaptado para mais assentosTânia Rêgo/Agência Brasil
Evgeniy Andrachnikov informou que atualmente, times de atletas costumam usar aeronaves de até 180 lugares, cujo custo de manutenção durante uma viagem é em torno de US$ 3 mil mais caro que o do SportJet. O avião russo pode transportar até 100 passageiros.
A companhia decidiu construir o avião para atletas quando percebeu que não havia nada igual no mercado desportivo mundial, que movimenta US$ 1 bilhão em viagens, informou. Segundo ele, a ideia não é restringir a venda dessa aeronave à Rússia, mas para todos os países. Os principais mercados identificados são Estados Unidos, Rússia, Ásia, Américas e Oriente Médio.
O avião tem autonomia para voar cinco horas direto, sem escalas. Os voos esportivos, explicou o vice-presidente sênior, são feitos obedecendo a escalas para não cansar os atletas. Times de basquete e hóquei, por exemplo, têm um máximo de 50 integrantes, em geral.
O público poderá visitar o protótipo do SportJet a partir do próximo dia 10 até o dia 18, na Casa da Rússia, a partir das 10h. Não é preciso inscrição prévia. A empresa fabricante é patrocinadora da casa de hospitalidade russa.
Há algumas semanas, a imprensa do Japão já havia falado sobre a possibilidade Akihito abdicar. #GloboNews
Imperador japonês se diz preocupado com dificuldade de exercer o cargo
G1.GLOBO.COM
O comitê Rio 2016 disse que o disparo acidental aconteceu durante um teste do próprio alarme. #GloboNews #Rio2016
Alarme de incêndio dispara no centro de mídia da Olimpíada e dá susto em jornalistas
G1.GLOBO.COM
Eles enfrentam a dupla sérvia com Djokovic na próxima rodada:http://glo.bo/2axIddn
Bruno Soares e Marcelo Melo vencem nas duplas masculinas de tênis
G1.GLOBO.COM
Só o motorista estava a bordo e teve ferimentos graves nas pernas:http://glo.bo/2aEWsCH
Ônibus cai em uma encosta e vai parar em um canteiro de obras no Sudoeste da China
G1.GLOBO.COM
Marcelo Rebelo de Souza esteve em São Paulo e visitou parte das instalações do museu, que está fechado após incêndio:http://glo.bo/2b4QtHa
Museu da Língua Portuguesa poderá ser reinaugurado em 2018, diz presidente de Portugal
G1.GLOBO.COM
Maria da Penha: lei foi eficiente, mas precisa ampliar serviços, diz educadora
Maiana Diniz - Repórter da Agência Brasil*
Brasília - A Casa da Mulher Brasileira reúne serviço integrado e humanizado de atendimento às mulheres em situação de violência (Wilson Dias/Agência Brasil)Wilson Dias/Agência Brasil
A gota d´água para que Maria* buscasse ajuda a fim de romper o ciclo de violência em que vivia foi ter sido estuprada pelo companheiro com quem está há dez anos. Mas, para ela, esse episódio não foi o pior que enfrentou. Antes disso, Maria viveu anos do que hoje reconhece como tortura psicológica.
Segundo ela, Roberto* nunca foi um homem carinhoso, mas atribuía isso ao fato de ele ser 22 anos mais velho que ela, que tem 54. Ela disse que desde o início da relação, ele se mostrou muito ciumento e machista. “Mas eu achava o namoro normal, até que começou o desrespeito total, depois de uns quatro anos juntos”.
Roberto agredia Maria de diversas maneiras. “Me jogava para baixo, dizia que eu não servia para nada, que eu fazia tudo errado, que eu não era uma boa mulher e que ele ia procurar outras. Se passava uma mulher atraente, ele a cantava na minha frente”. Os xingamentos foram se tornando cada vez mais frequentes. “Até que um dia ele começou a ejacular nas cuecas que eu tinha que lavar e me dizia que tinha sido fulana ou sicrana quem havia provocado o desejo dele”, conta, indignada.
Depois de tanta humilhação, Maria percebeu que estava adoecendo e decidiu tomar uma atitude por conta própria. “Parei de fazer sexo com ele. Disse ao Roberto que ele não me tocaria mais. A briga foi feia. Ele me castigou parando de me dar dinheiro, além de parar de pagar meu aluguel. Eu moro com a minha filha de 18 anos no mesmo prédio que ele, mas não é no mesmo apartamento. Três meses depois, fui despejada. Passei um período na casa de uma vizinha mas, nesse ínterim, peguei uma pneumonia e afundei numa depressão. Era muita pressão, vergonha, tudo. Depois de um tempo não vi saída, tive que me humilhar e acabei voltando com ele.”
Maria limpa, lava, passa e cozinha para Roberto, mas ele insiste em dizer que ela não trabalha. Ele sempre lembra quem paga as contas e, logo, quem manda. “Como se o que eu faço não fosse trabalho. A única diferença é que não sou remunerada, porque trabalho e muito. E é essa a única razão, eu continuo com ele porque dependo financeiramente dele.”
Ela relatou que há alguns meses apareceu uma moça na sua vizinhança que passava todos os dias em frente à loja de Roberto, a caminho da academia. “Ele ficou fascinado por ela e não fazia questão nenhuma de esconder isso. Dizia que sonhava com ela, que ela era mulher de verdade. De novo, aquilo me feriu muito. Agora, já parei de chorar, mas estava tão doente que não conseguia nem falar dos meus problemas.”
A máquina de lavar do prédio de Roberto é coletiva e fica no corredor para uso comunitário. “Eu fui à casa dele lavar as roupas e estava deitada na cama enquanto a máquina funcionava. De repente, ele subiu, minutos depois da hora que eu sabia que a moça passava e me estuprou. Aí, eu me toquei do que ele estava fazendo, ele estava com tesão por outra e me usou. Para mim, foi o fim.”
Após o episódio, Maria procurou o Centro Especializado em Atendimento à Mulher para buscar um psicólogo. “Fui bem atendida por uma equipe multidisciplinar. Perguntaram se eu queria fazer a denúncia, mas eu disse que não podia. Por que eu não posso? Ele é muito conhecido e eu preciso dele. Eu quero é me curar e me livrar dele.”, disse.
Maria continua com Roberto, mas está se preparando para deixá-lo. “Eu penso em ter a minha independência, por isso estou me reciclando e me empenhando, porque preciso dessa estabilidade.” Aos 54 anos, está fazendo o curso de recepcionista ofertado gratuitamente na Casa da Mulher Brasileira (CMB), em Brasília. “O amor acabou, não tinha como durar. Eu tenho vontade de amar de novo e ter uma relação saudável, mas o trauma é muito grande.”
A história de Maria é um caso clássico de violência doméstica, mas até a Lei Maria da Penha o senso comum dizia que era um problema de foro íntimo e, portanto, não cabia interferência.
A secretária especial de Políticas para as Mulheres, Fátima Pelaes, destacou que a Lei Maria da Penha foi criada justamente para mudar esse cenário. “Hoje, aquele chavão 'em briga de marido e mulher ninguém mete a colher´, perdeu o sentido. Mete e devemos meter porque temos uma lei já conhecida por 98% da população, que sabe que quem comete atos de violência contra a mulher será punido”.
A Lei 11.340 foi sancionada no dia 7 de agosto de 2006 com o objetivo de coibir a violência doméstica e familiar no país. A legislação foi batizada em homenagem à farmacêutica cearense Maria da Penha, que ficou paraplégica após levar um tiro do marido, pai de suas três filhas, em sua segunda tentativa de homicídio contra ela, em 1983.
A história de Maria da Penha ganhou repercussão internacional quando ela acionou a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) em busca de uma solução, após aguardar a Justiça brasileira por 15 anos. O caso mostrou a fragilidade enfrentada pelas brasileiras que eram vítimas de violência e não eram acolhidas pelo Estado.
Diretora de Conteúdo do Instituto Patrícia Galvão, organização social sem fins lucrativos que atua no direito das mulheres, a psicóloga Marisa Sanematsu avalia que a lei é bem formulada e completa, uma vez que define claramente as formas de violência doméstica como moral, sexual ou patrimonial. “Muita gente nem sabia que violência psicológica era um crime enquadrado, passou a saber com a divulgação da lei. Antes, a sociedade só considerava a violência contra a mulher aquela violência física. E não bastava ser simples, tinha que deixar a mulher com muitas marcas para as pessoas aceitarem que, dessa vez, o marido exagerou”, disse.
Brasília - Iara Lobo, coordenadora da Casa da Mulher Brasileira de Brasília (Wilson Dias/Agência Brasil) Wilson Dias/Agência Brasil
A coordenadora da Casa da Mulher Brasileira de Brasília, Iara Lobo, concorda. “Ter essa tipificação que a lei traz dos tipos de violência clareou a mente das pessoas, que antes nem percebiam que algumas agressões se configuram crimes.”
A socióloga e educadora Carmen Silva, da organização SOS Corpo e da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), considera que a divulgação da Lei Maria da Penha foi muito eficiente nos últimos anos, mas precisa se transformar em mais serviços, especialmente para as mulheres de baixa renda. “Todo mundo conhece a lei. Mas isso tem favorecido especialmente as mulheres mais esclarecidas, dos setores médios e que têm mais recursos financeiros, a maioria branca, que têm mais possibilidade de sair do ciclo de violência. A violência contra as mulheres brancas diminuiu, mas contra as negras, que estão na base da pirâmide e têm menos acesso à informação, a trabalho e aos serviços públicos, não.”
Serviços especializados
Na última semana, a ONU Mulheres, entidade das Nações Unidas para a igualdade de gênero, o Instituto Maria da Penha e o Consórcio de Organizações Não Governamentais Feministas pela Lei Maria da Penha divulgaram nota pública em defesa da lei e da institucionalização das políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres. No documento, a ONU diz que o aniversário da Lei Maria da Penha traz à tona “o desafio urgente de implementar de maneira mais efetiva as políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres com perspectiva de gênero”.
Como principais obstáculos, o manifesto cita a necessidade de ampliar a dotação de recursos financeiros e humanos em serviços especializados para atendimento com perspectiva de gênero, promover ações preventivas nas escolas por meio do ensino da igualdade de gênero, criar e implementar os serviços de responsabilização para homens agressores, aprimorar a produção de informação nacional e garantir a expansão de serviços especializados em municípios no interior do país.
O documento considera que a Lei Maria da Penha é um “legado feminista para o Brasil” e que a necessidade de “enfrentar a violência machista com o pleno atendimento de mulheres negras, jovens e rurais, por exemplo, mostra os rumos que a Lei Maria da Penha tem de seguir, de maneira implacável, nos próximos anos”. Segundo a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), no entanto, ainda não há ações planejadas nesse sentido.
Saiba Mais
Além da Lei Maria da Penha, a organização destaca a criação de mais dois instrumentos fundamentais para o combate à violência - a Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, instituída em 2005, e a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180.
Rede integrada
A delegada Ana Cristina Melo atua à frente da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher do Distrito Federal desde novembro de 2011. Ela é uma defensora da ampliação dos espaços especializados para o acolhimento dessas vítima. Segundo Ana Cristina, quem trabalha com a temática percebe o caráter essencialmente cultural da violência de gênero. “E quando você tem um caráter cultural, ele perpassa toda a sociedade, sejam homens ou mulheres. Os agentes públicos, como integrantes dessa sociedade, têm também muitos preconceitos, valores e esteriótipos que demandam capacitação, trabalho e tempo para serem desconstruídos. É preciso sim um espaço especializado para o acolhimento das mulheres”, argumenta.
De acordo com a SPM, atualmente existem no Brasil 502 delegacias especializadas, 45 defensorias da mulher, 95 promotorias especializadas, 238 centros de referència de atendimento à mulher, 80 casas-abrigo e 596 serviços especializados de saúde, números considerados inexpressivos para o tamanho da violência que se vive no país. São 1.651 serviços especializados de atendimento à mulher disponíveis para atender a todas as brasileiras, mais de 70% deles concentrados nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul.
Enquanto o Distrito Federal tem 18 núcleos da Deam, uma casa-abrigo, 19 varas especializadas, um núcleo de Defensoria Pública Especializada, 39 promotorias, 51 serviços especializados de saúde e uma Casa da Mulher Brasileira, que reúne inúmeros serviços, em Alagoas, por exemplo, só existem quatro delegacias especializadas, uma casa abrigo, uma vara especializada, um núcleo da Defensoria Pública, uma promotoria e dois serviços especializados de saúde para atender a mulheres de todo o estado.
A secretária Fátima Pelaes reconhece que é preciso “romper algumas questões com os estados” e aumentar o número limitado de delegacias especializadas, definir como viabilizar que as mulheres que fazem uma denúncia possam ter acesso a medida protetiva imediata, nos casos em que as mulheres devem ser afastadas imediatamente do agressor. Para isso, é necessária a atuação integrada da polícia com os órgãos da Justiça”, afirma.
A delegada Ana Cristina Melo contou que quando conversa com colegas de outros estados, se ressente da realidade do país. Segundo ela, sem uma atuação em rede entre os órgãos públicos, não é possível combater esse tipo de violência. “Porque colocar na mão só da polícia e dar esse caráter só repressivo não é o caminho. A repressão é muito importante para a responsabilizar o agressor, é extremamente importante, mas a violência doméstica tem muita coisa que a circunda”, disse. Ela explicou que muitas mulheres dependem de outros serviços do estado para sair do ciclo de violência. “Muitas têm demandas jurídicas, questões das quais dependem para que a situação seja resolvida. Aqui em Brasília é muito comum. Um casal por exemplo tem um lote, é a única coisa que aquela mulher tem. Eles não estão vivendo mais juntos, mas estão dentro da casa. Aí começam os atritos, mas ela não tem acesso aos serviços jurídicos para resolver o problema e continua lá, o que pode acabar em morte”.
Para enfrentar os problemas, Fátima Pelaes lembrou que no fim de maio foi criado o Núcleo de Proteção à Mulher pelo Ministério da Justiça – desde que o governo interino assumiu, a SPM deixou de ser subordinada à Presidência da República e passou para o Ministério da Justiça. Já foram feitas duas reuniões, mas as agenda de trabalho ainda não foram definidas. “Com o núcleo, estamos trabalhando propostas como o protocolo único de atendimento às mulheres, para que possamos reproduzir boas experiências em nível nacional”, disse a secretária.
Casa da Mulher Brasileira
Brasília - Casa da Mulher Brasileira reúne serviço integrado e humanizado de atendimento às mulheres em situação de violência (Wilson Dias/Agência Brasil)Wilson Dias/Agência Brasil
Uma das políticas mais bem-sucedidas nesse sentido é a Casa da Mulher Brasileira, que reúne diversos serviços públicos em um só espaço para fazer um atendimento integral às mulheres vítimas de violência. “A CMB foi idealizada para atender de forma plena uma única vez. Quando chega aqui, ela tem a delegacia, a Defensoria Pública, o Ministério Público e uma equipe multidisciplinar para fazer o atendimento psicossocial e ajudá-la a ter uma vida mais ou menos normal, porque a violência doméstica de todos os tipos, seja física, moral, psicológica ou patrimonial, deixa sequelas na alma”, afirma a subsecretária de Políticas para as Mulheres do Distrito Federal, Lúcia Bessa. A casa também oferece brinquedoteca e cuidadores para as crianças.
Atualmente, só existem duas casas da Mulher Brasileira em funcionamento no país - em Brasília e em Campo Grande, e três em construção - em São Paulo, Fortaleza e Curitiba. O plano é criar uma casa em cada capital. Lúcia defende a ampliação desse instrumento o quanto antes. “Esses locais permitem que as mulheres se sintam acolhidas, amparadas, respeitadas e dignas. Quando a mulher é obrigada a ir a vários órgãos públicos para contar e recontar a sua história, ela vai revivendo tudo o que passou e isso é uma forma de violência institucional”.
Números da violência
A eficiência da Lei Maria da Penha no combate à violência doméstica é difícil de ser medida em números, pois sabe-se que na maior parte dos casos os agressores não são denunciados. Mas os dados do Mapa da Violência de 2015 indicam impacto positivo. Enquanto o índice de crescimento do número de homicídios de mulheres no Brasil foi de 7,6% ao ano entre 1980 e 2006, quando a Lei Maria da Penha entrou em vigor, entre 2006 e 2013 o crescimento foi de 2.6% ao ano.
Mesmo com os avanços, as estatísticas mostram que a violência de gênero ainda é comum. O Mapa da Violência de 2015 revela que, entre 2003 e 2013, o número de vítimas de homicídio do sexo feminino passou de 3.937 para 4.762, um aumento 21% na década. Essas 4.762 mortes em 2013 representam 13 homicídios femininos diários.
Em 2015, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 recebeu 76.651 relatos de violência. Entre esses relatos, 50,16% corresponderam à violência física; 30,33% à violência psicológica; 7,25% à violência moral; 2,10% à violência patrimonial; 4,54% à violência sexual; 5,17% a cárcere privado; e 0,46% ao tráfico de pessoas.
A violência doméstica é uma realidade mundial. Números recentes da Organização Mundial da Saúde com a London School de Higiene e Medicina Tropical e pelo Conselho de Pesquisa Médica, com base em dados de mais de 80 países, estimam que uma em cada três mulheres (35%) no mundo já foi vítima de violência física ou sexual pelo menos uma vez, e que em 30% dos casos, os agressores eram os parceiros.
Ajuda
A delegada especializada em violência de gênero, Ana Cristina Melo, garante que a violência doméstica não escolhe idade, renda ou aparência física, todas as mulheres estão sujeitas. Apesar de o ideal ser buscar ajuda antes que a violência se agrave, segundo a delegada não é possível definir o que leva cada mulher a ter coragem de fazer uma denúncia para tentar colocar um ponto final na violência. “Há mulheres que buscam logo no início, em situações que não são vistas ainda como graves pelo senso comum, como por exemplo um xingamento do tipo "sua vagabunda". Há mulheres que relatam que sofreram violência por mais de 20 anos antes de denunciar e outras que já fizeram várias ocorrências, muitas mesmo, mas ainda não conseguiram sair desse ciclo de violência”. Ela alerta que “quanto antes denunciar, melhor”.
A especialista Iara Lobo sugere que as mulheres fiquem atentas aos sinais, como excesso de ciúme e controle, que podem indicar uma relação doentia. Quem vive relacionamentos em que o parceiro controla a roupa, o comportamento ou o celular, deve ficar atenta. “Muitos desses sinais estão dentro de nós. A consciência de que isso não está fazendo bem é um sinal”, observa.
Segundo Iara, as mulheres precisam refletir e levar em conta que “a gente também tem o machismo dentro da gente”, o que pode dificultar o reconhecimento de que algo vai mal.
A secretária Fátima Pelaes defende que combater o machismo é o passo mais importante para combater a violência contra as mulheres. “Ao mesmo tempo em que trabalhamos para que essa rede de enfrentamento atenda à grande demanda, temos que trabalhar a prevenção e entrar na raiz do problema, que é essa cultura machista que vem de muitos anos. Temos que atuar nas escolas e sensibilizar a sociedade como um todo. E temos que trabalhar com o agressor, porque muitos vezes ele está reproduzindo um comportamento, não reconhece como violência.”
Em caso de dúvida sobre como buscar ajuda ou ajudar vítimas de violência doméstica, Ligue 180.
*Os nomes dos personagens são fictícios
Mulheres na Rio 2016: futuro no esporte é “feminino”, diz vice-presidente do COI
Isabela Vieira - Repórter Agência Brasil
Este ano, a vice-presidente disse que a participação de mulheres em pelo menos 30 delegações – como a do Brasil-- mostra que o futuro no esporte e das olimpíadas “será feminino”Isabela Viera - Repòrter Agência Brasil
O recorde na participação feminina nos Jogos Olímpicos Rio 2016 ainda não colocou mulheres e homens lado a lado no pódio da igualdade. Elas são 45% do total de atletas que participam da competição. Somam 4,7 mil – um salto desde a primeira vez que competiram, em Paris, em 1900, quando eram apenas 22 em um total de 977 atletas de todo o mundo. Este ano, elas estreiam norugby e no golf – uma modalidade que foi reinserida nesta edição.
Durante a passagem da tocha olímpica ontem (5), antes da abertura dos jogos, a diretora executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka disse que a participação de mulheres na competição está quase equilibrada, mas defendeu a ampliação do número de contratadas em atividades administrativas das instituições de esporte nacionais e internacionais.
Referência na promoção da equidade no esporte, a ex-nadadora olímpica norte-americana Dona De Varona acredita que mulheres na organização dos jogos fizeram avanços para que as mais jovens pudessem competir, ao longo dos anos. No entanto, defendeu que é preciso assegurar e ampliar esse espaço, especialmente nos cargos administrativos, destacou durante evento da ONU Mulheres para incentivar meninas na prática, no Rio de Janeiro.
Rio de Janeiro - A vice-presidenta do Comitê Olímpico Internacional, a marroquina Nawal El MoutawakelFernando Frazão/Agência Brasil
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Além da atuação nas entidades esportivas, De Verona citou a importância de organização de mulheres na defesa de políticas públicas com equidade, para o esporte. Lembrou que, nos Estados Unidos, elas tiveram de pressionar universidades para que aceitassem treiná-las na década de 1970, oportunidade que já era dada aos homens. “Foi preciso aprovar uma lei”, lembrou. “A medida abriu as portas para que pudéssemos ser advogadas, médicas, executivas e atletas. Sou muito orgulhosa de que Nawal [El Moutawake] pode ir assim treinar”, lembrou, sobre a vice-presidenta do Comitê Olímpico Internacional (COI). Ex-corredora olímpica, a atleta do Marrocos frequentou a Universidade Estadual de Iowa e foi a primeira africana a ganhar um ouro olímpico.
No evento, Nawal disse que o COI leva a sério a igualdade e que muito tem sido feito, com apoio de ex-atletas como De Varona, para acelerar a equiparação. Lembrou que, há quatro anos, na olimpíada de Londres, o boxe foi a última modalidade a incluir as atletas na competição e que três países foram obrigados a levar ao menos uma mulher: Catar, Arábia Saudita e Brunei.
Este ano, a vice-presidente disse que não tem todos os números consolidados, mas o indicativo, com maior participação de mulheres em pelo menos 30 delegações – como a do Brasil-- mostra que o futuro no esporte e das olimpíadas “será feminino”.
Brasileiras em pé de igualdade
O Brasil está em seu caminho para promover a igualdade entre os gêneros, acrescentou a ex-jogadora de vôlei de praia e a medalhista olímpica, Adriana Behar. Presidenta da Comissão das Mulheres no Esporte do Comitê Olímpico do Brasil COB), ela contou que por meio de cursos, a entidade brasileira capacita atletas que se aposentaram para atuar em outras áreas.
“O COB atendeu muitas atletas, a Shelda, Fabiana Molina, Daiane dos Santos, Maurren Maggi, que se destacaram e hoje estão fazendo outras coisas, são comentaristas, líderes de programas e projetos de suas entidades ou estão na gestão. Quando são abertas oportunidades, temos mais chance de ter mulheres envolvidas no ambiente esportivo”, ressaltou.
Bastante aplaudida pela plateia de jovens no evento da ONU Mulheres, Adriana aposta no avanço de modalidades coletivas, como futebol, vólei e o handebol onde brasileiras são favoritas, mesmo que as condições de treinamento e salários não sejam os mesmos que os dos homens.
Cinemateca exibe documentários sobre o esporte olímpico brasileiro
Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil
A Cinemateca Brasileira, em São Paulo, irá exibir documentários sobre o esporte olímpico do país até o dia 14 de agosto. As sessões são diárias e mostram a trajetória dos atletas que representaram o Brasil nos Jogos Olímpicos.
Os 47 documentários compõem o acervo do projeto Memória do Esporte Olímpico Brasileiro, que vem sendo criado desde 2011. Além da exibição em tela grande na Cinemateca, os documentários podem ser assistidos também por meio de uma plataforma online, além de já terem sido distribuídos em formato DVD para bibliotecas públicas de todo o país.
Entre os documentários que serão exibidos está a produção de cineastas renomados como Cacá Diegues, um dos diretores de No Meio do Caminho Tinha um Obstáculo; Murilo Salles, que dirigiuReinaldo Conrad: A Origem do Iatismo Vencedor; Ugo Giorgetti, com sua obra México 1968 – A Última Olimpíada Livre e Laís Bodansky, com o filme Mulheres Olímpicas.
Com cinco edições realizadas, o projeto recebeu mais de 600 inscrições de projetos de filmes via seleção pública, aberta para qualquer produtora de vídeo do Brasil e que contempla um documentário de 26 minutos. O objetivo do projeto é promover o resgate da história dos grandes atletas que representaram o país nos Jogos Olímpicos. Neste ano, sete documentários foram contemplados na seleção.
A programação e a sinopse dos filmes pode ser conferida no site da Cinemateca.
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