Delegado regional falou sobre a investigação do caso, que ainda apura o envolvimento da adolescente liberada após depoimento
A frieza dos dois adolescentes que atacaram uma professora em Caxias do Sul, na última terça-feira (1), chamou a atenção da Polícia Cívil. Segundo o delegado regional, Augusto Cavalheiro Neto, os jovens agiram de maneira calculista e não demonstraram arrependimento após o crime.
O ataque ocorreu dentro da sala de aula, às 14h10min, na frente dos demais alunos. “A aula transcorria normalmente quando, no meio da aula, os dois adolescentes se levantaram e investiram contra a professora”, relatou Cavalheiro Neto.
Armados com facas, eles desferiram golpes na vítima e, em seguida, fugiram acompanhados de uma terceira pessoa, uma menina que também é investigada. A escola acionou a Guarda Municipal e o Samu prestou os primeiros socorros à professora.
Na sequência, a Brigada Militar e a Polícia Civil iniciaram buscas e localizaram os dois jovens no final da tarde, escondidos em uma área de mata próxima à instituição de ensino, por volta das 18h.
A investigação ainda tenta esclarecer o que motivou a agressão. Segundo Cavalheiro Neto, um dos adolescentes mencionou uma desavença com a professora. “Eles disseram que resolveram atacar porque não gostavam dela, porque tinham um problema com ela”, afirmou.
O delegado destacou que conflitos entre alunos e professores podem ocorrer no ambiente escolar, mas a reação dos jovens foi desproporcional. “O que chama atenção é essa reação completamente fora da curva, de transformar uma desavença escolar em uma tentativa de homicídio”, frisou.
Além da professora, o diretor da escola também teria sido alvo de hostilidade por parte dos adolescentes. “Eles comentaram que tinham uma certa raiva do diretor e que chegaram a pensar em fazer algo contra ele, mas isso não se concretizou”, explicou Cavalheiro Neto.
Frieza e ausência de arrependimento
O comportamento dos adolescentes após a prisão surpreendeu a polícia. Segundo o delegado, eles estavam tranquilos e cientes das consequências. “Perguntamos se eles sabiam que seriam presos, e eles responderam: ‘Sim, a gente sabia’”, contou.
Para Cavalheiro Neto, esse tipo de atitude reflete um problema mais profundo. “Isso vai além da atuação policial. É uma questão cultural, familiar e educacional que precisa ser debatida pela sociedade”, afirmou.
Os dois adolescentes foram apreendidos em flagrante por ato infracional análogo à tentativa de homicídio e tiveram a internação provisória decretada pela Justiça. Esse tipo de medida, equivalente à prisão preventiva de adultos, tem prazo máximo de três meses. Caso condenados, eles podem cumprir até três anos de internação.
A polícia segue investigando se houve premeditação e se há outras pessoas envolvidas no crime. A menina que acompanhou os adolescentes na fuga também está sob investigação. “Se surgirem elementos que indiquem participação dela, não descartamos uma internação”, disse o delegado.
A professora, que sofreu ferimentos na cabeça, nuca e costas, já recebeu alta hospitalar e será ouvida pela polícia assim que estiver em condições de prestar depoimento. As facas usadas no crime não foram encontradas, pois os adolescentes as descartaram durante a fuga.
A polícia também identificou que as câmeras de segurança da escola foram danificadas antes do ataque. “Isso indica que a ação pode ter sido premeditada”, apontou Cavalheiro Neto.
O inquérito segue em andamento para reunir provas que embasem a denúncia do Ministério Público e esclarecer todos os detalhes do caso.
Correio do Povo